sábado, 13 de março de 2010

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Estava frio naquela noite, eu levantei varias vezes um pouco mais cedo não conseguindo dormir, abri a gaveta da mesinha de cabeceira após olhar pela janela de vidro, a lua estava cheia, iluminava todo o jardim lá em baixo, vasculhei a gaveta a procura de algo que nem eu mesma sabia o que era. Minha mão branca pegou um caixinha, averiguando-a era pequenina, tinha alguns desenhos na lateral, e a mesma era de prata pura, abri-a com um dedo apenas e lá estava o que eu procurava sem saber, meus dedos envolveram a fina corrente puxando-a para fora da caixinha, a qual acomodei sobre a mesinha, entre meus dedos o cordão passava levemente e de forma suave, levantei do chão ficando em pé ainda a admirar o que estava entre meus dedos, a luz da lua entrava em meu quarto, já que as cortinas estavam abertas, o reflexo batia no cordão de prata fazendo-o brilhar de forma que nunca havia visto antes, com o dedo indicador e o polegar largando a corrente peguei no ingente olhando-o com atenção, dentro da forma de coração em prata estava uma parte transparente, de diamante, um sorriso brotou em minha face, infantil e sincero, coloquei o cordão e sentei-me sobre a cama macia, que antes era esmagada por meu corpo agitado, virando de um lado para o outro sem conseguir dormir. Meu dedos automaticamente foram até o pingente novamente. Meu cabelo estava solto e caia levemente sobre meus ombros, o momento de nostalgia era tremendo, eu mal sabia se ainda estava ali, naquele ano, naquele quarto com dezesseis anos, minha mente viajou rapidamente no tempo, fazendo com que tudo o que eu via a minha frente ficasse sem foco, olhos parados, vidrados em um ponto fixo que na verdade eu nem dava atenção, ou via, eu agora estava na escada de pedra na frente de casa, brincando inocentemente com minhas bonecas, sozinha, como sempre. Meu pai chegou desesperado, suas mãos passavam por seus cabelos grisalhos como se estivesse enlouquecendo, eu estava assustada, larguei a boneca que rolou a escada sem defesa, corri atrás de meu pai que entrou dentro de casa. "PAI, PAI' eu gritava com minha voz inocente de uma garota de cinco aninhos. Ele me olhou, e pareceu cair em sí,  engolindo em seco, um brilho mínimo apareceu em seu olhar, ele se abaixou fazendo carinho em meu cabelo e me abraçou, meu coração estava disparado e meus olhos começavam a coçar e mostrar vestígios de que lágrimas logo cairiam por ali, ele me deixou rapidamente elétrico passou as orbes em sua volta e foi até o armário que sempre ficava trancado, tirando de lá uma caixinha de prata que fez meus olhos brilharem com seu próprio brilho, ele se ajoelhou apoiando-se apenas com uma perna, abriu a caixinha com cuidado e tirou de lá um lindo cordão, colocando em mim e dizendo "Aqui! Nunca o tire, com ele você estará sempre protegida, eu estarei sempre ao seu lado quando você estiver com ele, e sua mãe também!" Minha mãe havia falecido quando eu tinha dois anos, meus olhos então se encheram de lágrimas e meus dedinhos rosados analisaram o 'presente' "A mamãe papai?" Ele balançou a cabeça positivamente tentando prender o choro "Sim, era dela! Eu dei para ela quando nos conhecemos! Ela ia gostar que ficasse com você!" nos envolvemos em um forte abraço de pai e filha; Onze anos depois, eu estava novamente no meu quarto, órfã de pai e de mãe, após um mês trancada em meu quarto chorando pela perda de meu pai na casa de meus padrinhos desde o acontecimento eu coloquei novamente o presente que meus pais me deram, tomando coragem, e senti, que ao coloca-lo eu fiquei mais forte, eles estariam ali comigo, e eu nunca mais os afastaria de mim por fraqueza, vergonha ou medo! Nunca!

Pauta para: Bloínquês, 8ª edição visual.

4 Opiniões Formadas:

Bia disse...

Aii Paula, que coisa mais linda, acabei chorando aqui do lado da telionha. Também quero participar dessa edição, irei fazer o possivel, mas, você já ganhou!

Parabéns .. lindo texto.

taina fischer disse...

perfeito, perfeito, perfeito *-* pelos que eu li, o seu ta o melhor... você já ganhou! +1

AnnaJulia disse...

ta lindo cara, adorei, entrei por acaso no seu blog e gostei mt!
te seguindo!
bjs

Natasha Knorst disse...

Que lindo! Me arrepiei, sério!